Homenagem

CCDR-N recorda Ilídio Araújo: uma referência do Norte

Arquitecto paisagista

No ano em que se assinala o primeiro aniversário após a morte do arquitecto paisagista Ilídio Araújo, e em jeito de homenagem a um “verdadeiro e inspirado mestre” nas questões paisagísticas, de ordenamento do território e do ambiente, recordemos um dos seus contributos – “Memória e Prospectiva”, uma publicação lançada por ocasião dos 40 anos da CCDR-N.

Autor de diversos projectos para quintas, palácios e jardins botânicos em Portugal, encontrando-se parte do seu espólio arquivado no Forte de Sacavém, sob responsabilidade da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, Ilídio Araújo publicou diversas obras de relevo, das quais se destaca a “Arte paisagista e arte dos jardins de Portugal” e “Quintas de Recreio”.

Mas muito mais ficou por publicar, uma imensa reflexão sobre o território português, à qual se junta agora a obra “A Arquitectura Paisagista em Ilídio Alves de Araújo”, lançada recentemente na Universidade do Porto, no âmbito de mais uma homenagem a este senhor do Norte.

Ilídio Alves de Araújo nasceu em 1925 numa família de agricultores, em Celorico de Basto. Cursou agronomia e arquitectura paisagista, com um trabalho final de etnografia agrícola e ordenamento paisagístico sobre a sua aldeia natal. Na década de 1970, colaborou nos primeiros trabalhos da Comissão de Planeamento da Região do Norte, instituída em 1969, e integrou a equipe do Plano da Região do Porto. De 1980 a 1986, desenvolveu trabalhos de Ordenamento Agro-florestal e Paisagístico.

É enquanto técnico com responsabilidades na área do ordenamento do território no Norte, que ajudou a definir a primeira área protegida do país, a Reserva Ornitológica do Mindelo. A ele também devemos a serpenteante estrada de acesso ao Bom Jesus.

Viajou pelo País e pala Europa, contactou, fotografou, projectou, orientou técnicos, conhecendo, como poucos, a Região Norte. Razões suficientes para, nos 40 anos de instituição da CCDR-N, se editar um caderno onde se incluem-se dois textos seus, ambos com um balanço de meio século: um sobre o modo como viu processar-se o desenvolvimento da sensibilidade política para os problemas da paisagem (de 2009); outro sobre a sua experiência e visão como paisagista no domínio do planeamento e gestão das paisagens (de 2002).